Desde que comecei a curtir cinema e cultura pop em geral, quando era leitor da revista Herói (pois é), ouço sobre uma possível adaptação da graphic novel de Alan Moore chamada “Watchmen”. Nunca procurei ler a revista em quadrinhos, até porque não sou muito ligado em HQs. Depois de tanto tempo de espera pelos fãs, finalmente o trabalho de Moore – que detesta que adaptem suas obras – chegará às telonas.
O filme é assinado por Zack Snyder, o mesmo que levou ao cinema 300, recriando habilmente as aventuras de Leônidas e seus 300 de Esparta, originários dos quadrinhos de Frank Miller – que aceita muito bem suas obras serem adaptadas, tanto que comandou, ao lado de Robert Rodriguez, Sin City. No elenco da superprodução, Billy Crudup, Patrick Wilson, Carla Gugino, Jackie Earle Haley, Malin Akerman entre outros menos conhecidos. Nenhum grande nome da constelação de Hollywood, mas todos bons atores – que deverão crescer em popularidade tanto ou mais que Gerard Butler, depois de sua interpretação em 300.
De acordo com as imagens do trailer, o visual é bastante promissor. Não dá para entender sobre o que se trata a trama, mas posso adiantar que a história se passa nos anos 80, quando um ex-super-herói é assassinado. O justiceiro Rorschach (Earle Haley) decide investigar o crime e descobre que a coisa é pior do que imaginava. O trailer pega emprestada a música tema do fracasso Batman e Robin, The End is the Beginning is the End, dos Smashing Pumpkins, com uma roupagem diferente e bem bacana. Confira logo abaixo.
Watchmen Estréia EUA: 6 de março de 2009 Estréia BRA: Espera-se que no mesmo dia
Dir.: Zack Snyder Com Malin Akerman, Carla Gugino, Jeffrey Dean Morgan, Billy Crudup, Jackie Earle Haley, Patrick Wilson, Matthew Goode, Stephen McHattie e Niall Matter Expectativômetro: 8/10
Amanhã, em cartaz no Paradoxo: Podcast Paradoxo #6
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A experiência de assistir a Cada um com seu Cinema ou Aquele Calafrio de Quando as Luzes se Apagam e o Filme Começa pode ser bastante irregular, mas no bom sentido. A produção realizada para comemorar os 60 anos do Festival de Cannes é composta de 33 curtas-metragens assinados por grandes e conhecidos diretores mundiais como Roman Polanski, Wim Wenders, David Lynch, Alejando González Iñárritu, David Cronenberg, Wong Kar Wai, Manoel de Oliveira, Walter Salles e o recém falecido Youssef Chahine. O fato de ser uma junção de trabalhos distintos transforma a produção em uma grande paleta de visões sobre a mesma temática: a experiência de sentar em uma sala escura e apreciar um bom filme. Como é complicado falar desta produção como algo estanque, vou destacar aqui os curtas-metragens que mais chamaram a minha atenção. E fiquem a vontade de fazer o mesmo nos comentários do blog, caso tenham assistido a Cada um com seu Cinema.
Para variar, David Lynch entrega um de seus estranhosos trabalhos em Absurda. E que nome melhor para um curta-metragem assinado pelo homem que assina filmes como Cidade dos Sonhos e Império dos Sonhos? No curta, uma tesoura sai da tela de cinema - mas nada como A Rosa Púrpura do Cairo, de Woody Allen. Como vários dos trabalhos de Lynch, a narrativa - se existe - é de difícil compreensão. Mas vale como vídeo arte, certamente.
Mais down to earth são os trabalhos dos cineastas Andrei Kontchalovsky, Jean Pierre Dardenne, Luc Dardenne e Alejandro Gonzáçez Iñárritu que dirigem, respectivamente, No Escuro, Na Escuridão e Anna, três dos vários curtas que trabalham a temática da cegueira. Este último curta, que conta com a citação do filme O Desprezo, de Jean Luc Goddard, é uma belíssima obra, que mostra uma jovem cega emocionando-se no cinema ao lado de seu namorado.
Devo confessar, no entanto, que Cada um com o seu Cinema tem seus destaques nos curtas-metragens que pendem para o lado cômico ou absurdo. Como é o caso do excêntrico trabalho de David Cronenberg, No Suicídio do Último Judeu do Mundo no Último Cinema do Mundo, que não precisa de muitas explicações para ser encaixado como um filme, no mínimo, irônico. Nele, o próprio diretor é este último judeu, em uma transmissão ao vivo impagável deste suicídio. Encontro Extraordinário, do português Manoel de Oliveira, não chega a ser engraçado, mas é bastante curioso, assim como A Sessão do Último Encontro, de Bille August, que ensaia alguns gêneros distintos, até nos brindar com uma pequena surpresa em seu desfecho.
Emocionante é observar o recém falecido cineasta egípcio Youssef Chahine fazer uma recapitulação de como foi o seu início de carreira, bastante inseguro, no ótimo 47 Anos Depois. Quem conhece o trabalho de Chahine sabe que ele ganhou, em 1997, um prêmio especial na 50ª edição do Festival de Cannes pelo conjunto de sua obra. O curta remonta dois momentos expressivos em sua carreira.
Diário de um Espectador é um divertido curta, protagonizado e dirigido pelo cineasta italiano Nanni Moretti, que começa a enumerar algumas produções que lhe chamaram a atenção nos últimos tempos. De Revelação a Rocky Balboa, o diretor fala de suas impressões e até entoa o famoso tema das escadarias do herói vivido por Stallone. Por falar em esporte, Ken Loach encerra de forma irônica Cada um com seu Cinema, com seu curta Final Feliz. Nada mais britânico. Nada mais brasileiro que o ...à 8944 km de Cannes, de Walter Salles, que traz a dupla Castanha e Caju em um de seus duelos verbais e musicais e, desta vez, cinematográfico.
Mas deixei para o final realmente os melhores trabalhos da produção, que conseguiram fazer rir pela surpresa. Primeiro, Cinema Erótico, de Roman Polanski, me surpreendeu por mostrar que o cineasta consegue dirigir uma comédia, nem que sejam apenas 3 minutos. Um casal assistindo a Emmanuelle no cinema se incomoda com um espectador, digamos, pouco silencioso. Hilariante. Mas não tanto quanto Lars Von Trier e o seu Profissões, que deveria ser exibido antes de todas as sessões de cinema, na tentativa de inibir os chatos falantes dentro das salas de cinema.
O porém da versão nacional do filme é a ausência do trabalho dos irmãos Ethan e Joel Coen, chamada World Cinema. Uma pena não poder conferir o curta dos cineastas, responsáveis pelo recente e ótimo Onde os Fracos Não Têm Vez. Irregular, como qualquer trabalho coletivo produzido desta forma, Cada um com seu Cinema ou Aquele Calafrio de Quando as Luzes se Apagam e o Filme Começa é uma produção muito válida por mostrar que a magia do cinema, sob a visão de 36 cineastas diferentes, oriundos de 25 países distintos, pode conversar em um mesmo trabalho. E dialogar com o público presente no cinema também, é claro.
Cada Um Com Seu Cinema ou Aquele Calafrio de Quando as Luzes se Apagam e o Filme Começa (Chacun son Cinéma ou Ce Petit Coup au couer quand la Lumière s'éteint et que le Film Commence)
Dir.: Raymond Depardon, Takeshi Kitano, Theo Angelopoulos, Andrei Kontchalovsky, Nanni Moretti, Hou Hsiao Hsien, Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne, David Lynch, Alejandro González Iñárritu, Zhang Yimou, Amos Gitai, Jane Campion, Atom Egoyan, Aki Kaurismaki, Olivier Assayas, Youssef Chahine, Tsai Ming Liang, Lars Von Trier, Raoul Ruiz, Claude Lelouch, Gus Van Sant, Roman Polanski, David Cronenberg, Wong Kar Wai, Abbas Kiarostami, Bille August, Elia Suleiman, Manoel de Oliveira, Walter Salles, Wim Wenders, Chen Kaige, Ken Loach, Ethan Coen, Joel Coen, Michael Cimino Cotação Paradoxo: Vale 80% do ingresso
Amanhã, em cartaz no Paradoxo: Seção Preview de Watchmen, adaptação dos quadrinhos clássicos de Alan Moore por Zac Snyder, de 300
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Não deixa de ser irônico observar que os "heróis" que os uruguaios tanto aguardam para melhorar sua situação em O Banheiro do Papa sejam nós, brasileiros. Sabemos bem que a nossa saúde financeira não é das melhores e, na época em que se passa o longa-metragem, estava ainda pior. Por isso, para nós, talvez não seja uma grande surpresa o desfecho desta co-produção entre a uruguaia Chaya Films e a brasileira O2 Filmes. Mas nem por isso a trajetória dos esperançosos personagens de O Banheiro do Papa é menos válida.
Ganhador de cinco Kikitos no Festival de Cinema de Gramado em 2007, o filme conta a história do contrabandista Beto (César Trancoso) e de sua comunidade, que em 1988, se alvorota com a chegada do Papa João Paulo II em sua cidade. A expectativa da população é que milhares de brasileiros visitem o município para ver o pontífice e, com isso, ganhem dinheiro vendendo toda a sorte de quitutes, badulaques e quinquilharias. Beto, porém, tem um plano diferente de seus vizinhos. Observando que a previsão é uma grande comilança no dia da visita do Papa, ele sabe muito bem que as pessoas sentirão vontades fisiológicas que uma barraquinha de pastéis não poderá resolver (por mais fétida que possa ser). Para ganhar um dinheirinho e comprar a sua tão sonhada moto, que facilitaria e muito o seu ganha pão de contrabadista, Beto resolve construir um banheiro público e cobrar pelo seu uso, ajudado pela sua esposa, Carmem (Virginia Mendez) e por sua filha, Silvia (Virginia Ruiz).
O Banheiro do Papa é o filme de estréia dos diretores Enrique Fernández e César Charlone, que já mostram no seu debute uma boa mão na direção de atores. O filme não teria a mesma força não fossem as interpretações corretíssimas do trio principal. César Trancoso, apesar de viver um personagem falho, violento e contraventor, consegue ganhar o espectador pela sua bela performance. E não é fácil conseguir a cumplicidade do público com um papel difícil como de Beto, um homem que mente para a família e que bebe demais, sendo violento com sua mulher e filha. Esta última tenta, como pode, se afastar dos passos do pai e sonha em ser radialista. Mas a vida mostrará a garota que isso pode ser mais difícil que ela imagina. Até porque, de onde ela acha que herdou sua verve sonhadora? Do homem que almeja ganhar dinheiro com um banheiro, obviamente. Com o pé mais no chão está Carmem, vivida pela ótima Virginia Mendez, que tenta ser o ponto conciliador da casa, mesmo não conseguindo ser bem sucedida no intento.
Além da excelente direção de atores, os cineastas também são bem sucedidos em criar cenas que passeiam em uma linha fina entre a comédia e o drama. Em um dos melhores trechos, envolvendo uma bicicleta e um vaso sanitário, Trancoso protagoniza uma cena que poderia muito bem ser hilariante, caso não soubéssemos o quanto Beto investiu em sua idéia (mesmo que os dividendos tenham saído de fontes das mais variadas).
O filme só peca por ser menos cômico que se propunha. Vendido como uma comédia, O Banheiro do Papa não faz rir, salvo raras exceções. Como um longa-metragem para refletir a situação de um povo e como uma polaroid de um momento difícil da população do Uruguai, o longa-metragem é muito bem sucedido. A produção poderia ser melhor vista como uma fábula sobre esperança e sobre sonhos. Mesmo que eles nem sempre se realizem.
O Banheiro do Papa (El Baño Del Papa) Dir.: César Charlone e Enrique Fernández Com César Trancoso, Virginia Mendez, Virginia Ruiz, Mario Silva, Henry de Leon Cotação Paradoxo: Vale 78% do ingresso
Amanhã, em Cartaz no Paradoxo:Cada um com o seu Cinema, produção realizada especialmente para a 60ª edição do Festival de Cannes
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Segunda-feira, Julho 28, 2008 Cinema e Afins #4 Férias cinematográficas em Porto Alegre
Lembram daquelas redações que fazíamos quando crianças no colégio? Como foram minhas férias? Pois é. Este texto não tem nada a ver com isso. Mesmo que minhas férias tenham direta influência no tema da coluna de hoje, isso aqui não será um resumo destes meus dias de folga que tirei na última semana – e que continuam até a próxima quinta-feira. Sim, pessoal. Estou de férias and I feel fine. E que melhor época para se tirar férias quando Porto Alegre fervilha (ok, bem menos) de opções para um bom programa cinematográfico?
No fim de semana passado, rolou uma mostra muito bacana na Usina do Gasômetro sobre os 100 anos do primeiro cinema de Porto Alegre. Para comemorar a data, a P. F. Gastal exibiu alguns clássicos da sétima arte. Em uma das sessões, podíamos conferir trabalhos seminais como os curtas dos irmãos Lumière, a obra prima de Meliès, Viagem a Lua, e um dos primeiros faroestes de que se tem notícia, O Grande Roubo do Trem, de Edwin S. Porter. Um excelente programa para quem curte cinema e não está familiarizado com títulos do começo do século passado e do fim do retrasado. Além disso, O Gabinete do Dr. Caligari, de Robert Wiene, um dos alicerces do expressionismo alemão, também estava sendo exibido na P. F. Gastal. Conferi estas duas sessões, exibidas em DVD pela sala de cinema da Usina do Gasômetro, mas fiquei surpreso com a pouca procura do público. Imaginei que, por se tratar de uma mostra de curtíssima duração, a audiência seria um pouco maior. Menos de dez pessoas na sala, em ambas as sessões. Uma pena.
Não sei se teve melhor sorte a mostra dos filmes de Cacá Diegues, que aconteceu nesta mesma P. F. Gastal nesta semana que passou, durante o 3º Festival de Inverno de Porto Alegre. Com uma boa seleção de títulos, dentre eles os já clássicos Xica da Silva e Bye Bye Brasil, juntamente com o recente e ótimo O Maior Amor do Mundo, a mostra me chamou a atenção por trazer o próprio cineasta para uma sessão comentada. Infelizmente, os meus horários não fecharam para assistir a nenhuma destas sessões. O que me leva a crer que se eu, que estou de férias, não pude conferir a mostra, o que pode dizer as pessoas que estão trabalhando e que tem um tempo ainda menor para uma escapada ao cinema?
É bem verdade que o meu tempo foi gasto em uma outra mostra interessante que está acontecendo também em Porto Alegre, a poucos metros da Usina do Gasômetro. A Cinemateca Paulo Amorim, na Casa de Cultura Mário Quintana, bolou uma mostra homenageando dois mestres-cineastas que nos deixaram no ano passado: Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni. E o melhor: com cópias em película. A qualidade pode não ser das melhores, já que os filmes são antigos. Mas quem acredita que ir ao cinema é uma experiência mais completa quando os títulos não são projetados em DVD, vai se deliciar com os ruídos e com as marcas decorrentes do envelhecimento destes trabalhos. Dos longas-metragens que estão sendo exibidos nas salas Eduardo Hirtz e Norberto Lubisco, pude conferir a sessão de O Passageiro – Profissão: Repórter, de Antonioni, filme de 1975, que apresenta um Jack Nicholson mais contido e reflexivo. Pretendo ainda esta semana, caso a mostra continue, conferir um dos títulos de Ingmar Bergman que estão em cartaz na Casa de Cultura.
Fechando meu passeio nos cinemas fora do circuito comercial, uma outra boa dica são as sessões do Santander Cultural, que está exibindo a mostra especial Férias de Inverno. Na semana passada, pude conferir Cada um com seu Cinema, produção realizada especialmente para o Festival de Cannes, com grandes diretores do mundo todo. Na quarta-feira, vou postar minhas impressões sobre esta junção de curtas-metragens aqui no Paradoxo. Além deste título, outras excelentes produções como Não Estou Lá, de Todd Haynes, e Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho, também podem ainda ser conferidas no Santander. Ainda esta semana – talvez no mesmo dia da sessão de Ingmar Bergman – pretendo dar uma olhada em um filme que há tempos estou para conferir: A Vida dos Outros, de Florian Henckel Von Donnersmarck, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro do ano passado e que teve uma longa trajetória no Aeroguion.
É certo que Porto Alegre não tem um festival grandioso quanto o de São Paulo. Mas temos algumas tentativas que merecem a atenção do público, como estas citadas logo acima. Sem contar outros interessantes esforços como o IV Fantaspoa – que começa em agosto e terá a presença de Zé do Caixão em pessoa – e o CineEsquemaNovo. Uma pena que grande parte das sessões de grande parte dos festivais acontece à tarde. Com minhas férias acabando, serei mais um a faltar a sessões de cinema interessantes.
Amanhã, em cartaz no Paradoxo:O Banheiro do Papa, filme uruguaio/brasileiro dirigido por Enrique Fernández e César Charlone
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É muito bom reencontrar velhos e queridos amigos. Hollywood sabe disso. E vem, a cada nova temporada, desenterrando sucessos do passado e enchendo os bolsos com personagens conhecidos do público como os oitentistas Rambo, John McClane e Indiana Jones, e as mais contemporâneas garotas de Sex and the City. Com um filão desses, uma dupla de agentes do FBI tão querida pela audiência não poderia ficar de fora. Desta forma, o criador de Arquivo X, Chris Carter, resolveu trazer de volta a dupla que fez uma legião de fãs ficar antenada na televisão toda a semana, muito antes de febres como Lost e Heroes aparecerem: Fox Mulder e Dana Scully. Interpretados por David Duchovny e Gilliam Anderson, os personagens estão de volta em Arquivo X - Eu Quero Acreditar, segundo longa-metragem derivado do seriado noventista.
Na trama, uma agente do FBI desaparece e o padre Crissman (Billy Connelly) é o único elo entre a desaparecida e o time do bureau que a procura. Essa história poderia ser trivial não fosse um detalhe: o padre clama ser vidente e que recebe as informações que passa para os investigadores através de visões. Como o sobrenatural não é bem a especialidade do FBI, a agente Dakota (Amanda Peet) resolve apelar para um antigo conhecedor de casos inexplicáveis, Fox Mulder. Recluso para evitar problemas com seus ex-patrões, o crente Mulder tenta não se envolver com o caso, mas acaba sendo convencido por Scully - que agora apenas utiliza seus conhecimentos em medicina em um hospital - a ajudar uma agente em perigo. Para variar, Mulder se envolve demais com o caso e sua obsessão pelo desconhecido pode ajudá-lo, ou não, a resolvê-lo. Enquanto isso, Scully se preocupa em ajudar um menino que tem uma séria doença e que pode morrer caso ela não tente um tratamento doloroso e sem certeza da eficácia.
Como digo no título desta crítica, eu realmente queria acreditar que a saga Arquivo X pudesse continuar após o final do seriado. Gosto muito da criação de Chris Carter, mesmo não tendo acompanhado todas as temporadas (assisti apenas a primeira temporada completa - duas vezes). Mas posso muito bem escrever sobre um longa-metragem que se propõe a não usar a mitologia da série, sendo mais parecido com aqueles episódios que Mulder e Scully investigavam casos isolados - que eram a tônica principal da primeira temporada, aliás. Esperava, pelo menos, assistir a um ótimo episódio mais longo de Arquivo X no cinema. Mas não é isso que acontece neste filme. No máximo, Eu Quero Acreditar seria um episódio mediano, com alguns bons momentos.
Acredito que o principal problema está na trama, que não empolga tanto quanto deveria. Os motivos pelos quais Mulder - e por tabela, Scully - é chamado a ajudar também não são muito inspirados. Se ambos ainda estivessem no FBI, tudo bem. Mas o fato de alguém ter de chamá-los para ajudar, em um bureau tão grande, soa um pouco forçado. Claro que para uma história que trata de eventos um tanto quanto bizarros, "forçado" é um conceito bastante subjetivo.
O que é interessante em Eu Quero Acreditar é a dobradinha entre Duchovny e Anderson, que está tão afinada quanto sempre. As tiradas de Mulder continuam ali, assim como a seriedade e o ceticismo de Scully. Os fãs vão perceber algumas mudanças nada sutis na relação entre os dois e poderão comemorá-las ou odiá-las. O curioso é que se uma ou duas cenas pontuais fossem eliminadas, tudo continuaria igual como o seriado.
Com um elenco irregular, que dá um espaço enorme para um rapper inexpressivo chamado Xzibit e para uma perdida Amanda Peet, Arquivo X - Eu Quero Acreditar se sustenta pelas boas atuações da dupla principal, pela saudade dos fãs em reencontrar Mulder e Scully e por alguns momentos inspirados de suspense, com a fotografia interessante de Bill Roe, que já trabalhou em diversos episódios da série. A trilha clássica de Mark Snow é ouvida em alguns poucos momentos - até em um alívio cômico desnecessário e desajeito - mas sempre é marcante. Infelizmente, durante os créditos finais, o tema ganhou uma nova roupagem, remixada pelos rappers do UNKLE, e perdeu um pouco de sua força. E quem esperar um pouco, durante os créditos finais, pode ter uma pequena surpresa. Nada de muito emocionante, mas algo que justifique os créditos com a temática marítima.
Arquivo X - Eu Quero Acreditar (The X-Files: I Want to Believe) Dir.: Chris Carter Com David Duchovny, Gilliam Anderson, Amanda Peet, Xzibit, Billy Connolly e Callum Keith Rennie Cotação Paradoxo: Vale 68% do ingresso
Na próxima semana, em cartaz no Paradoxo: Cinema e Afins #4; O Banheiro do Papa, filme uruguaio/brasileiro dirigido por César Charlone e Enrique Fernández; Cada um com o seu Cinema, produzido especialmente para o Festival de Cannes, com diretores como Roman Polanski, Gus Van Sant, David Lynch, Abbas Kiarostami e Walter Salles; Seção Preview e Podcast Paradoxo #6 (agora, pra valer)
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Quinta-feira, Julho 24, 2008 Preview: A Múmia - Tumba do Imperador Dragão
Assisti a todos os filmes da Múmia no cinema e gostei apenas do primeiro. Engraçado na medida certa e com um estilo de aventura meio Indiana Jones, A Múmia, de 1999, era um programa bem bacana e a atuação tresloucada de Brendan Fraser não incomodava. O segundo filme, no entanto, não tinha o mesmo charme descompromissado do original e ainda apresentava o vilão Escorpião Rei com os efeitos especiais mais falsos que nota de 3 reais. O spin-off da cinessérie, que trazia The Rock do lado bom da Força, como personagem principal, também não era lá essas coisas.
Agora, A Múmia - Tumba do Imperador Dragão aposta muitas de suas fichas na escolha do vilão: o astro da pancadaria coreografada Jet Li. Em Máquina Mortífera 4, a presença de Li como vilão era um dos pontos altos da aventura de Riggs e Murtaugh. Mas não sei o quanto Jet Li pode ajudar em um filme dirigido por Rob Cohen (de Velozes e Furiosos e Triplo X) e que ainda substitui Rachel Weisz por Maria Bello no papel de Evelyn O'Connel (não podiam ter matado a personagem?).
O trailer aponta que o filme terá mais ação que os anteriores e que o filho de Rick e Evelyn cresceu um bocado - mesmo que Fraser não aparente ser nada mais velho. Confira você mesmo com o preview logo abaixo.
A Múmia - Tumba do Imperador Dragão (The Mummy - Tomb of the Emperor Dragon)
Estréia EUA/BRA: 1º de Agosto
Dir.: Rob Cohen Com Brendan Fraser, Jet Li, John Hannah, Maria Bello, Luke Ford e Michelle Yeoh Expectativômetro: 4/10
Amanhã, em cartaz no Paradoxo:Podcast Paradoxo #6 Crítica de Arquivo X - Eu Quero Acreditar, filme que reune novamente a dupla Fox Mulder e Dana Scully, sob a batuta de Chris Carter, criador do seriado
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Histórias de superação de adversidades existem aos montes no cinema. Geralmente, com personagens edificantes e barreiras praticamente intransponíveis. Poucas, no entanto, conseguem ser sensíveis e, ao mesmo tempo, apresentarem um ser humano real como protagonista. Não é raro tentar transformar alguém que sofre em um mártir ou em um semi-deus. É uma armadilha bem fácil e acontece principalmente quando a história em questão é baseada em fatos reais. O Escafandro e a Borboleta é uma exceção à regra. Somos apresentados a um homem que está em uma condição dificílima, mas que possui defeitos e os divide conosco, por estarmos em contato com seus pensamentos. Isso nos torna ainda mais próximos desta pessoa.
O filme conta a história real do jornalista Jean-Dominic Bauby (Mathieu Amalric). Editor da famosa revista francesa Elle e mulherengo nas horas vagas, Bauby sofre um AVC e perde todos os movimentos do corpo, uma rara condição que os médicos chamam de “Síndrome do Encarceramento”. O único meio de ele interagir com o mundo exterior é através do olho esquerdo, após uma bem sucedida experiência realizada por sua fonoaudióloga Henriette (Marie-Josée Croze). Após momentos de auto piedade e desespero, Bauby decide dar a volta por cima e escrever um livro sobre sua condição.
O cineasta Julian Schnabel acerta tanto neste trabalho que fica difícil saber por onde começar. Então, comecemos do início. Mesmo sendo norte-americano, Schnabel escolheu filmar em francês para preservar a fidelidade com a história de Bauby. Só por isso, o cineasta já é merecedor de elogios por não abrir exceções. Todos sabemos que o grande público de cinema está nos Estados Unidos e que esta audiência odeia ler legendas. Mas preservar a língua mãe da história é importante, assim como convidar os atores certos para os papéis.
Não sou um conhecedor do cinema francês. Até por isso, me surpreendi com a performance de Matthieu Amalric como Jean-Dominic Bauby. Seu personagem não é nada fácil, pois precisa se comunicar apenas com um olho e manter o resto da expressão engessada. Isso e o agravante de ele ser o narrador da história fizeram com que seu trabalho precisasse convencer nestas duas frentes. Desafio aceito, resultado excelente. As belas atrizes do entorno de Bauby também merecem elogios, com destaque para Emmanuelle Seigner, que vive a fiel ex-esposa do jornalista, e Marie-Josée Croze, que brilha na cena em que um pessimista Bauby decide revelar seu desejo para sua fonoaudióloga. Max Von Sydow, o eterno padre Merrin de O Exorcista, tem um pequeno, mas pungente papel como o pai do enfermo.
Outro dos acertos de Julian Schnabel é conseguir manter o ponto de vista do filme o maior tempo possível sob a perspectiva de Jean-Do. O longa-metragem inicia com o público observando o que Bauby enxerga e descobrindo o que está acontecendo ao mesmo tempo em que o personagem. Isso causa, de imediato, uma aproximação do espectador com a história. Apenas observamos o rosto do jornalista no momento em que ele o observa, de relance, através de um reflexo. E o fato de Schnabel conseguir fazer um filme denso como este, com um ritmo fluído e inteligente, é outro elogio possível de ser feito.
O processo de criação do livro de Bauby é demasiado longo e minucioso. Cada letra de cada palavra é piscada para sua ajudante, Claude (Anne Consigny), que vai ditando o alfabeto para ele. O cineasta consegue mostrar a construção do livro de forma elegante, sobrepondo as frases do romance com as letras ditadas pela moça. E se o filme perde um pouco o brilho com algumas passagens pouco interessantes do passado de Bauby – como sua visita a uma cidade religiosa e a posterior compra de uma imagem sacra – ganha com outras, que nos revelam um pouco de sua personalidade – como a tocante cena entre pai e filho e uma lâmina de barbear.
O Escafandro e a Borboleta conta uma história difícil, porém fascinante. Não é mais um daqueles filmes que passam no Supercine sobre pessoas que ultrapassam barreiras. É um filme que mostra que mesmo um homem que vivia encarcerado dentro de um escafandro pode se livrar da prisão através da palavra escrita piscada apenas por um olho.
O Escafandro e a Borboleta (Le Scaphandre et Le Papillon) Dir.: Julian Schnabel Com Mathieu Amalric, Emmanuelle Seigner, Marie-Josée Croze, Anne Consigny, Patrick Chesnais e Max Von Sydow Cotação Paradoxo: Vale 95% do ingresso
Amanhã, em cartaz no Paradoxo: Preview de A Múmia – Tumba do Imperador Dragão
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Foi em Cinema, Aspirinas e Urubus a primeira vez que observei o trabalho do ator baiano João Miguel. Naquele filme, de 2005, assinado por Marcelo Gomes, o ator fazia uma dobradinha afinada com o alemão Peter Ketnath, sendo um dos destaques do longa-metragem. Depois de uma rápida participação em Cidade Baixa, papéis em O Céu de Suely e Mutum - e até papéis pequenos em novela - João Miguel tem a chance de protagonizar um excelente exemplar de cinema brasileiro com Estômago, dirigido por Marcos Jorge.
Neste trabalho, Miguel é Raimundo Nonato, um nordestino que chega em São Paulo para arranjar trabalho. Logo que aporta na capital, recebe a chance de trabalhar como faxineiro - sem receber nada por isso - em uma espelunca nojenta, que serve coxinhas horríveis. Não demora muito para Raimundo descobrir que tem talento para a cozinha e suas coxinhas são um sucesso imediato. Íria (Fabiula Nascimento), uma prostituta com paladar aguçado para comidas gordurosas, vê no nordestino uma ótima companhia e começa a ter um caso com o agora cozinheiro Nonato. Com o sucesso das coxinhas, ele é convidado por Giovanni (Carlo Briani) para ser auxiliar de cozinha em seu restaurante italiano. Porém, algo dá errado na vida de Nonato e ele acaba parando na prisão. Apenas seu talento culinário poderá fazê-lo sobreviver em um lugar onde o perigo atende pelo nome de Bugiu (Babu Santana).
O grande acerto no filme de estréia de Marcos Jorge na direção de uma ficção é a narrativa. Em vez de acompanharmos a tragetória de Nonato cronologicamente, somos apresentados primeiramente ao personagem já na prisão, dando uma explicação hilária de como nasceu o queijo gorgonzola. Com essa pequena história, podemos ter uma pequena noção de quem é Raimundo Nonato e qual é o tamanho de sua "fome" pelo conhecimento culinário, aprendido com as lições pouco didáticas de Giovanni, o bonachão dono do restaurante - como descobrimos posteriormente. A narrativa passeia entre os dias anteriores à prisão de Nonato e seu cotidiano dentro da cela. Com isso, nos questionamos qual é o real motivo por "Alecrim" - como o personagem é apelidado na cadeia - estar detido, já que ele não apresenta muitos sinais de ser um homem perigoso. Diferente de muitos filmes que usam a fragmentação da narrativa para efeitos apenas estilisticos, Estômago dá motivos para que sua estrutura seja desta forma, pois o clímax da trama nos mostra os momentos nos quais Nonato está em seu limite.
Por isso, a elogiada interpretação de João Miguel - que até ganhou o prêmio no Festival do Rio como melhor ator - é também um dos destaques deste longa-metragem. Raimundo Nonato pode até parecer um homem simplório e inofensivo. Mas quando este chega ao seu limite, suas ações podem ser bastante surpreendentes. João Miguel consegue pontuar bem os seus dois momentos e já pode ser considerado um dos melhores atores revelados nos últimos anos. Babu Santana, Carlo Briani e Fabiula Nascimento também se destacam no filme, defendendo muito bem seus papéis. Paulo Miklos tem uma breve aparição e não compromete. Só penso que poderia ser convidado um ator que causasse uma maior apreensão no público que o franzino integrante dos Titãs, para um personagem que aterroriza até os próprios detentos.
Com um roteiro bem bolado, baseado no conto "Presos pelo Estômago", do livro "Pólvora, Gorgonzola e Alecrim", de Lusa Silvestre (que não li, mas pretendo), Estômago é engraçado e interessante no ponto certo. O filme não chega a passar uma mensagem de amor à culinária como Ratatouille e Sem Reservas, mas usa essa nossa predileção pela boa cozinha para mostrar que até os presos mais sanguinários podem ser conquistados por um bom prato de comida. Desde massa à "puta vesga" até um belo prato de formigas refogadas.
Estômago Dir.: Marcos Jorge Com João Miguel, Fabiula Nascimento, Babu Santana, Carlo Briani, Zeca Cenovicz, Marco Zenni e Paulo Miklos Cotação Paradoxo: 85% do ingresso
Amanhã, em cartaz no Paradoxo: se tudo correr bem, O Escafandro e a Borboleta, de Julian Schnabel, filme que finalmente estreou no Brasil depois de meses sendo anunciado.
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Segunda-feira, Julho 21, 2008 Cinema e Afins #3 Death and all his Friends
Dercy Gonçalves morreu. Quem diria. Recebi a notícia com surpresa no sábado. Não que seja muito surpreendente uma mulher de 101 anos morrer. Mas é que ela estava praticamente desafiando a morte há um bom tempo e, aparentemente, ganhando a batalha. No entanto, depois de postergar muito o inevitável, Dercy acabou nos deixando (não antes de ter mandado a morte à merda, provavelmente). Não é sobre Dercy o meu texto de hoje, mas achei que seria relevante começar com ela, já que falo sobre morte. Ultimamente, semana vem e semana vai, alguém importante na área do cinema tem encontrado com o seu iminente destino. É triste ver que pessoas talentosas e gabaritadas como Charles Joffe, Stan Winston, Sydney Pollack - só para nos mantermos nos mais recentes - e jovens talentos como Heath Ledger não poderão dar mais sua contribuição para a sétima arte.
Estas quatro figuras que citei foram as que me deixaram chateado por suas mortes em 2008. O filme responsável pela minha paixão pelo cinema, aos 10 anos de idade, Jurassic Park, de Steven Spielberg, teve um dedo importante de Stan Winston, mago dos efeitos especiais. Foi ele quem colocou em prática as figuras concebidas por Spielberg, animatrônicos que nos fizeram crer que os dinossauros poderiam mesmo estar vivos em pleno século XX. Além disso, um dos personagens mais bizarros de Tim Burton, Edward Mãos de Tesoura, também foi resultado do trabalho de Winston. A esquisita figura do alienígena caçador de humanos em Predador, a maquiagem do Pingüim de Batman - O Retorno, a belíssima armadura do Homem de Ferro, do recente blockbuster estrelado por Robert Downey Jr. Tudo isso é obra de um verdadeiro mago dos efeitos especiais e da arte da maquiagem. Stan Winston é um nome que talvez nem todos conheçam, mas deveriam pela excelência de seus trabalhos.
Outro nome que é pouco conhecido, mas que também é extremamente relevante para o cinema é Charles H. Joffe, produtor dos filmes do notório neurótico novaiorquino Woody Allen. Foi Joffe quem praticamente descobriu o então comediante e que o encorajou a dirigir seus próprios roteiros. Não fosse Charles Joffe, provavelmente não teríamos clássicos como Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, Manhattan, A Rosa Púrpura do Cairo e tantos outros títulos assinados por Allen em mais de trinta anos de carreira. Joffe faleceu no dia 9 de julho, mas pôde acompanhar seu último filme produzido com Woody Allen, Vicky Cristina Barcelona, estrear no festival de Cannes deste ano.
O mesmo não pode dizer Heath Ledger, que morreu em janeiro sem ter podido assistir a sua última e mais fabulosa performance da carreira. O Coringa de Batman - O Cavaleiro das Trevas certamente faria com que a interessante carreira do ator australiano decolasse de forma meteórica. Nada mal para quem começou em uma comédia bobinha como 10 Coisas que eu Odeio em Você, amargou alguns papéis pouco memoráveis como o filho de Mel Gibson em O Patriota e o padre de O Devorador de Pecados, até chegar em personagens que exigissem mais do talento do ator, como A Última Ceia, de Marc Forster, e O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee. Suas atuações em Não Estou Lá e no novo filme do Homem-Morcego coroam o final de uma carreira que poderia ter uma grande evolução, não fosse uma overdose acidental em 22 de janeiro.
Sydney Pollack, desta lista, é o que eu menos conhecia. Apreciava muito seu trabalho como ator, nos ótimos Conduta de Risco, filme que também co-produziu, De Olhos Bem Fechados e em um episódio hilário do seriado Mad About You, no qual Pollack vivia um psiquiatra dos sonhos para Paul e Jamie. Quanto aos seus trabalhos na direção, mesmo tendo dirigido clássicos como Tootsie, Entre Dois Amores e Nosso Amor de Ontem, devo confessar que sou analfabeto em Pollack cinesta. Nada que não possa ser remediado, é claro. Mesmo não conhecendo a fundo o trabalho do diretor, fiquei triste por saber que ele ainda era muito ativo em seu trabalho e por saber da importância dele para a sétima arte. E o fato de ele ter produzido um dos melhores filmes de 2007, Conduta de Risco, não deixa dúvidas que perdemos um grande profissional no dia 26 de maio.
E eu comecei tudo isso falando de Dercy. Alguém aposta quanto tempo vai demorar para a Globo fazer um Por Toda a Minha Vida sobre a atriz? Dividido em duas partes, provavelmente, devido a sua longevidade.
Amanhã, em cartaz no Paradoxo:Estômago, filme brasileiro dirigido por Marcos Jorge.
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Sexta-feira, Julho 18, 2008 I Believe in Christopher Nolan
Em 2005, quando Batman Begins foi lançado, tive grandes dificuldades em escrever sobre o filme, pois gostei imensamente do resultado final do trabalho de Christopher Nolan e cia. Por incrível que pareça, quanto mais gosto, mais trabalhoso é colocar essa predileção no papel. Três anos depois, me deparo com a mesma tela em branco, pedindo para ser preenchida com minhas impressões sobre O Cavaleiro das Trevas, continuação da franquia do homem-morcego. O meu problema neste momento é ainda maior do que em 2005, pois este novo filme consegue ser ainda melhor que o seu antecessor. Portanto, se esta crítica estiver cheia de elogios rasgados e adjetivos superlativos, não estranhe. Ele merece.
O desfecho de Batman Begins, com a carta do Coringa sendo entregue por Jim Gordon ao homem-morcego, era um ponto de partida magnífico para uma continuação. E com isso em mente, o cineasta Christopher Nolan se uniu a seu irmão Jonathan (que co-escreveu os roteiros dos ótimos Amnésia e O Grande Truque) para montar o roteiro desta continuação, seguindo as idéias que ele havia criado com David S. Goyer, roteirista do primeiro longa. Em primeiro lugar, o Coringa seria o vilão principal e não seria contada sua origem. Um Joker Begins estava fora de questão e a decisão é muito acertada. Porque perder tempo mostrando como ele se tornou o palhaço do crime quando é muito melhor ver o Coringa em ação?
O Cavaleiro das Trevas tem início com um roubo a banco de proporções grandiosas. Uma quadrilha de mascarados limpa os cofres do banco, em uma operação bem ensaiada. Apesar disso, apenas um deles sai ileso do assalto. Engana-se quem pensa que a polícia conseguiu eliminar a gangue. A mando de seu chefe, os capangas matavam uns aos outros para ter menos pessoas para dividir o dinheiro. No final das contas, o único a ficar com a soma é o cabeça da operação: ninguém menos que o Coringa (Heath Ledger). Essa é apenas mais uma das contravenções que o vilão maquiado participou. O tenente James Gordon (Gary Oldman) e o promotor público de Gotham Harvey Dent (Aaron Eckhart) tentam de todas as formas acabar com a criminalidade da cidade. E para isso, contam com a ajuda do homem-morcego (Christian Bale), que trabalha praticamente como um fora-da-lei.
Quando o Coringa ordena que Batman revele quem é, sob a ameaça de matar um cidadão de Gotham por dia, Bruce Wayne cogita deixar a armadura de lado e tentar uma nova chance com seu amor de infância, Rachel Dawes (Maggie Gyllenhaal). Mas ela está envolvida com Harvey Dent, um homem íntegro e justo, que tenta colocar o máximo de criminosos na prisão – de preferência, ao mesmo tempo. Mas a ameaça do palhaço do crime pode colocar todo o trabalho de Dent, de Gordon e de Batman por terra, criando um novo nível de desordem em Gotham City.
Para quem se perguntava se Heath Ledger conseguiria suplantar a performance de Jack Nicholson como o Coringa, bastam apenas duas aparições para que a resposta seja um grande e sonoro sim. Coringa é uma força da natureza, como o próprio diretor do filme afirmou em diversas ocasiões. E Ledger dá vida a essa força com uma intensidade impressionante. O palhaço não tem nenhum motivo aparente para causar desordem, sendo levado apenas pelo prazer de criar o caos. Por isso, o personagem é tão eficaz em assustar o espectador. Se não existe um fim para seus meios, a imprevisibilidade é a característica principal do vilão – característica esta que aterroriza seus oponentes. Apesar de ser uma figura inconstante, o Coringa sempre parece estar à frente dos acontecimentos, com tudo fazendo “parte do plano”. Mesmo quando as coisas parecem dar errado para ele, um fato novo surge mostrando que nada é como parece. Tudo isso é vivido de forma visceral por Heath Ledger, em seu último papel completado na tela grande. Uma pena, realmente. Com essa performance, a carreira do ator decolaria de forma meteórica.
Do outro lado desse espectro, o bom moço Harvey Dent é boa intenção em pessoa. Íntegro, incorruptível e apaixonado pelo trabalho, Dent é a resposta para o renascimento de uma Gotham sem crimes. Quem conhece as histórias do homem-morcego sabe que Dent se transforma em Duas Caras. Mas nunca essa metamorfose foi tão sentida pelo espectador. Aaron Eckhart cria um personagem tão interessante, completo e heróico que ficamos esperando que o seu desfecho não seja tão trágico quanto já sabemos. É ele quem realmente muda no decorrer da trama, podendo ser apontado como a figura central dos acontecimentos.
Isso, claro, se a história não fosse protagonizada por um cavaleiro encapuzado chamado Batman. Christian Bale amadurece sua performance como o homem-morcego e, o fato de não precisar explicar suas origens, como em Batman Begins, o ajuda a entrar em ação mais rapidamente, logo tomando conta do filme. Sempre com a ajuda dos corretíssimos Michael Caine e Morgan Freeman, que dão um peso ainda maior ao elenco, que ainda ganha destaque para as ótimas atuações de Gary Oldman e Maggie Gyllenhaal – que nos faz esquecer completamente de Katie Holmes.
A música conduzida por dois mestres como James Newton Howard e Hans Zimmer dá toda a liga para a história, mostrando que mesmo uma trilha fantástica como a criada por Danny Elfman para a cinessérie de Tim Burton pode ser suplantada. A música, atrelada a fotografia sombria assinada por Wally Pfister e a edição do sempre competente Lee Smith, são mais alguns pontos que merecem elogios. Isso e a direção de arte, que cria um visual único para Gotham, que parece uma cidade real, à despeito da gótica criação da franquia anterior.
Os figurinos são caprichados, com destaque para as roupas do Coringa, que trazem diversos conceitos dos quadrinhos, como a cor predominantemente roxa de seus ternos, e o novo uniforme de Batman, muito mais ágil e condizente com sua “profissão” de justiceiro.
Mas tudo isso dito acima não seria nada, não fosse um nome: Christopher Nolan. O diretor montou um filme que não vai agradar apenas aos fãs do Cavaleiro das Trevas. Vai agradar a qualquer pessoa que goste de um bom filme. O trabalho do cineasta consegue mesclar muito bem drama, ação e aventura em um longa-metragem que tem ainda elementos de filme policial e de suspense. Muito se falou que O Cavaleiro das Trevas é comparável a O Poderoso Chefão, Fogo Contra Fogo e até Seven. Não concordo. Principalmente pelo fato de que nenhum destes três filmes teve de encarar o preconceito de ser uma produção baseada em um super-herói-de-histórias-em-quadrinhos (neologismo hifenizado, causador de repulsa aos intelectuais de plantão). Olhando neste prisma, o trabalho de Nolan não merece ser comparado, pois é vanguarda. É o ponto de partida para um outro tipo de filme de super-heróis – renegando todos os exageros do gênero e utilizando uma faceta mais realista.
Sem sombra de dúvidas, a nova aventura de Batman é um trabalho memorável, que coloca um ponto final naquela velha história que produções de super-heróis são obras de menor valor que os chamados “filmes sérios”. Batman – O Cavaleiro das Trevas é seriíssimo e quem não for conferir o longa-metragem por pensar que é apenas mais uma adaptação de HQs, vai perder um excelente exemplar do bom cinema feito por um cineasta diferenciado. That’s why I believe in Christopher Nolan.
Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight) Dir.: Christopher Nolan Com Christian Bale, Michael Caine, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Gary Oldman, Maggie Gyllenhaal, Anthony Michael Hall, Cillian Murphy, Nestor Carbonell, Eric Roberts e Morgan Freeman Cotação Paradoxo: Vale 100% do ingresso.
Na próxima semana, em cartaz no Paradoxo: Cinema e Afins #3; Estômago, filme brasileiro dirigido por Mário Jorge; O Escafandro e a Borboleta, atrasado longa-metragem francês comandado por Julian Schnabel; Seção Preview e Podcast Paradoxo #6;
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Rapaz que vive uma vida corriqueira e entediante é procurado por uma mulher misteriosa que o aponta como o escolhido, um sujeito especial que fará a diferença na causa que defende. Poderia ser Matrix. Mas não é. Se eu dissesse que o personagem principal de O Procurado trabalha em um daqueles clássicos escritórios com repartições, a semelhança ficaria ainda maior. Mas o que realmente importa é que esta é a mais nova adaptação de quadrinhos que deve chegar aos cinemas brasileiros – depois de O Cavaleiro das Trevas, é claro.
A história em quadrinhos que deu origem a este filme foi assinada por Mark Millar e tinha uma premissa bastante interessante. Os grandes vilões da Terra se uniram e conseguiram dar um basta nos super-heróis que tanto atazanavam suas vidas. Com a morte destes heróis, os vilões reescreveram a história mundial, transformando seus arquiinimigos em ficção. Estes vilões que conseguiram banir os heróis do planeta ainda mandam na jogada e, quando um jovem descobre que seu pai era um membro desta fraternidade, acaba se unindo a essa legião de bad guys.
O filme, no entanto, elimina qualquer menção a super-heróis e transforma os vilões em assassinos profissionais. Isso tirou um pouco minha vontade de assistir ao filme, já que não me agradou essa liberdade com o texto original. De acordo com o trailer, o longa-metragem do diretor russo Timur Bekmambetov (de Os Guardiões da Noite) parece ser bem movimentado – e sem noção. Darei uma chance.
Com um elenco encabeçado por Angelina Jolie, Morgan Freeman e o semi-novato James McAvoy (de Desejo e Reparação), O Procurado fez bonito nas bilheterias norte-americanas e deve ganhar uma continuação. Confira o trailer logo abaixo.
O Procurado (Wanted) Estréia EUA: 27 de junho Estréia Brasil: 22 de agosto
Dir.: Timur Bekmambetov Com James McAvoy, Angelina Jolie, Morgan Freeman, Common e Terence Stamp Expectativômetro: 6/10
Amanhã, em cartaz no Paradoxo:Podcast Paradoxo #6 Crítica de Batman – O Cavaleiro das Trevas, novo filme do homem-morcego.
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Everybody was kung-fu fighting... Those cats were fast as lightning…
Momento totalmente Lúcio Ribeiro no início deste texto. Mas é explicável. Difícil sair do cinema sem cantarolar o famoso one hit wonder de Carl Douglas, que serve como trilha dos créditos finais de Kung Fu Panda, nova animação da Dreamworks. Se não é tão maravilhoso quanto Wall·E, trabalho da concorrente Pixar, o longa-metragem do urso balofo é simpático o suficiente para uma agradável tarde no cinema. E a culpa disso reside – e muito – na ótima escolha do elenco de vozes em sua versão original.
Mas antes de entrar nesse mérito, vamos à sinopse: Po (Jack Black) é um urso gorducho e preguiçoso que sonha (literalmente) em ser um grande lutador de kung-fu. Seus ídolos são os cinco furiosos, um clã composto por um macaco (Jackie Chan), uma tigresa (Angelina Jolie), uma cobra (Lucy Liu), um louva-deus (Seth Rogen) e uma garça (David Cross), treinados pelo grande pequeno Shifu (Dustin Hoffman). Quando uma terrível ameaça surge na forma de um tigre chamado Tai Lung (Ian McShane), é chegada a hora de alguém tomar a frente no combate e se tornar o Dragão Guerreiro. Uma grande festa é montada para a escolha de qual membro do clã se tornará esta figura poderosa, que dará cabo da ameaça que se avizinha. Todos ficam surpresos, no entanto, quando a filósofa tartaruga-ninja-mestre Oogway (Randall Duk Kim) escolhe um animal fora do clã: ninguém mais, ninguém menos que o obeso Po. Agora, o panda precisará suar para conquistar seu espaço e o respeito de Shifu.
Diferente de Wall·E, que não ganhou uma cópia legendada sequer em Porto Alegre, Kung Fu Panda foi exibida por aqui em sua versão original também. Por isso, foi possível conferir o excelente trabalho dos atores convidados para encarnar os simpáticos personagens do longa-metragem. Jack Black e Dustin Hoffman são a espinha dorsal do filme e, por mais clichê que a frase possa parecer, dão alma aos seus respectivos papéis. Black É Po. Seu jeito de falar, seu timing cômico (e, porque não dizer, seu peso) estão encorporados no personagem, que ganha a simpatia do público desde o primeiro momento que aparece.
Aliás, este primeiro momento é muito bem sacado. Os diretores Mark Osborne e John Stevenson capricharam na abertura de seu filme, transformando uma passagem onírica em um belo exemplar de animação oriental. De resto, o filme não apresenta grandes novidades, a não ser pelo uso da câmera lenta. Em filmes de ação e aventura, essa técnica é usada à exaustão para criar uma atmosfera de maior emoção para a cena. Já no caso de Kung Fu Panda, esse advento é trazido para criar cenas cômicas, que funcionam muito bem dentro do universo da história.
Depois de ter elogiado os dubladores e os diretores, fica uma ressalva apenas para os roteiristas. Os cinco guerreiros animais poderiam ser melhor explorados dentro da história. Devo confessar que um dos motivos que me levou ao cinema para ver a cópia original era ouvir as vozes de Jackie Chan como o macaco e de Seth Rogen como o louva-deus. Uma decepção, já que ambos abrem a boca apenas para falar quatro frases. A trama poderia ter mostrado melhor as origens do clã e quais eram os motivos dos cinco estarem ali, junto a Shifu. Essa pode ser uma opção para ser explorada em uma possível – e provável – continuação. Assim como a bem bolada e estranha figura do pai de Po, que também deve ser explicada em um novo episódio.
Pode ficar um tanto incomodado quem não aprecia lições de moral em desenhos animados, já que, diferente de Shrek, Kung Fu Panda tem uma mensagem bem mais escancarada. Nada tão brega quanto o final de um episódio de He-Man, mas ainda assim, está lá.
Kung Fu Panda Dir.: Mark Osborne e John Stevenson Com as vozes de Jack Black, Dustin Hoffman, Angelina Jolie, Jackie Chan, Seth Rogen, Lucy Liu e Ian McShaine Cotação Paradoxo: 75% do ingresso
Amanhã, em cartaz no Paradoxo: Preview de O Procurado
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Há heróis. Há super-heróis. E há Hancock. Esta é a tagline do novo filme estrelado por Will Smith e é um excelente começo para esta crítica. Realmente, o personagem defendido pelo ator é diferente dos demais. Beberrão, imprudente, truculento e mulherengo são algumas das características que podem ser atribuídas a Hancock, um homem que possui super-poderes e os usa de formas pouco ortodoxas para ajudar a população de Miami. Destruição em massa e prejuízos para a cidade estão sempre na ficha corrida do herói. Tanto que o povo vê Hancock como uma praga e não como uma salvação. Quando um RP, vivido por Jason Bateman, toma para si a responsabilidade de trabalhar a imagem do herói junto ao público, tudo começa a mudar. Até que um segredo guardado a sete chaves vêm à tona.
Will Smith é conhecido por quebrar recordes de bilheteria nos feriados de 4 de julho nos Estados Unidos. Foi assim com Independence Day, em 1996, e MIB – Homens de Preto, em 1997. Depois de amargar alguns fracassos em dias da independência subseqüentes como As Loucas Aventuras de James West, em 1998, e Homens de Preto II, em 2002, o ator está reinando novamente no seu feriado favorito com Hancock, seu segundo sucesso consecutivo em 2008, depois de Eu sou a Lenda. E sua simpatia junto ao público é usada como grande chamariz neste novo trabalho, já que esse super-herói vivido pelo ator não é uma adaptação de nenhuma HQ famosa. Ele foi criado do zero pelo roteirista Vincent Ngo e é um daqueles roteiros que circulam por Hollywood há anos.
Então, o grande motivo para que os cinéfilos invadam o cinema não é observar a última adaptação de super-herói nas telonas. E sim ver Will Smith interpretando um herói. Mais do que isso. Vivendo um ser com grandes poderes, politicamente incorreto, que não tem pudor de jogar uma criança para o céu por tê-lo chamado, repetidamente, de idiota (a tradução de asshole não é bem isso. Mas deixemos assim). Essa é uma das razões pelo sucesso do longa-metragem assinado por Peter Berg. Mas não reside só nisso.
A atuação de Will Smith como Hancock é correta pelo seu ótimo timing cômico, característica que o ator sempre mostrou ter em seus trabalhos, mesmo que a comicidade de sua performance não esteja atrelada a piadas, mas em situações bizarras (no mínimo). Esta simpatia entre ator e público, no entanto, coloca por terra o que o filme mesmo tenta mostrar: a repulsa que a população tem por John Hancock. A platéia nunca sente o mesmo desprezo pelo personagem, e até aplaude alguns de seus gestos mais truculentos. Esta é apenas uma pequena falha de um filme que nunca sabe ao certo em que gênero está. Hancock passeia pela ação, pela comédia e pela aventura, mas nunca finca o pé em nenhum. Isso não seria um problema se o diretor do longa-metragem, Peter Berg, conseguisse misturar bem esses ingredientes.
Digo isso porque Hancock é mais cômico em seu início, até metade da projeção. Então, aparentemente, a produção esquece que o filme se tratava de uma comédia de ação e abandona qualquer elemento cômico. No final das contas, assistimos a uma comédia regular, com boas cenas de ação, realizadas com efeitos especiais acima da média. É legal, mas poderia ser muito melhor.
Hancock Dir.: Peter Berg Com Will Smith, Charlize Theron, Jason Bateman, Eddie Marsan Cotação Paradoxo: Vale 70% do ingresso.
Amanhã, em cartaz no Paradoxo:Kung Fu Panda, nova animação da Dreamworks.
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Segunda-feira, Julho 14, 2008 Cinema e Afins #2 Batman – O Cavaleiro do Marketing
Em 1989, Tim Burton dirigiu um grande sucesso do cinema. Em tenra idade e com pouca experiência no ramo, o cineasta tomou para si a responsabilidade de levar às telas uma versão em carne e osso do homem morcego. Longe do pastiche que o seriado sessentista se propunha, Batman tinha uma veia mais dark, mesmo que não fosse tão fiel aos quadrinhos originais do Cavaleiro das Trevas. Na época, o fato de terem escalado Michael Keaton como o personagem título causou protestos entre os fãs, por ser um ator mais conhecido por papéis cômicos. No entanto, essa ressalva não impediu que o longa-metragem fosse extremamente bem sucedido nas bilheterias. Nada como uma excelente campanha de marketing para chamar o público às salas de exibição. No final dos anos 80, tudo carregava o nome do homem morcego. De refrigerantes a postos de gasolina. De camisetas a copos de plástico. Era algo que nunca tinha se visto na história do cinema. Uma campanha massiva e original.
Passaram-se quase 20 anos e Batman continua sendo o personagem que abre alas para novos tipos de campanha de marketing. Desta vez, a estréia de Batman – O Cavaleiro das Trevas, continuação do bem sucedido Batman Begins, causou uma enxurrada de novidades para os internautas de plantão, que ficaram vidrados em virais que saíam pela internet.
Virais? E isso pega?
Calma. Viral não é nada ruim, como o nome poderia indicar. Caso você não seja iniciado neste papo de marketing, viral é um tipo de campanha que se propaga – como diz o nome – como um vírus. As pessoas vão passando as informações umas para as outras, no bom e velho boca a boca. Pode parecer coisa pequena. Mas estes virais conseguiram reunir centenas de pessoas em cidades selecionadas ao redor do mundo para que essas pessoas pudessem conferir o segundo trailer de O Cavaleiro das Trevas.
E não foi só isso. Vídeos com personagens do filme foram veiculados em sites atrelados ao longa-metragem. Por exemplo, Anthony Michael Hall vive o jornalista Mike Engel nesta seqüência. No site gothamcablenews.com, semanalmente é disponibilizado um vídeo do programa Gotham Tonight, apresentado por Engel, que trata de notícias e temas relacionados ao universo da cidade fictícia em que se passa a história. Tudo de forma séria, como se cada informação dada ali fosse real. Não bastasse isso, atores como Aaron Eckhart e Gary Oldman, que vivem Harvey Dent e Jim Gordon no longa-metragem, também dão as caras nestes vídeos.
Isso é um material valioso para os fãs, que ficam cada vez mais sedentos pela estréia de Batman – O Cavaleiro das Trevas nos cinemas. Sem contar na figura do homem morcego estampada em cereais matinais, camisetas, álbuns de figurinha, etc, etc. Toda essa ansiedade acaba neste final de semana, quando estréia o filme mundialmente. Espero que todos estes vídeos e featurettes divulgados pela internet sejam compilados em uma edição caprichada em DVD desta seqüência do memorável Batman Begins. E que venha logo sexta-feira.
Amanhã, em cartaz no Paradoxo:Hancock, novo filme de Peter Berg, estrelado por Will Smith, Charlize Theron e Jason Bateman.
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Sexta-feira, dia de mais um Podcast Paradoxo por aqui. Hoje, falo sobre um filme de 2006 muito elogiado pela crítica e que sedimentou a opinião de muitos sobre a capacidade do diretor britânico em questão. Quer saber mais? Escute no player logo abaixo.
Semana passada, falei sobre o documentário No Direction Home: Bob Dylan, dirigido por Martin Scorsese. A música incluída na edição anterior do Podcast foi a excelente "Like a Rolling Stone", cantada pelo próprio Bob Dylan. Desta vez, a música não está atrelada ao filme, mas sim ao diretor. Enjoy.
Na próxima semana, em cartaz no Paradoxo: Cinema e Afins #2; Hancock, novo filme do Will Smith, dirigido por Peter Berg; Kung Fu Panda, nova animação da Dreamworks; Seção Preview e Podcast Paradoxo #6.
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Quinta-feira, Julho 10, 2008 Preview: Quantum of Solace
Quando o nome de Daniel Craig foi anunciado como o novo James Bond, pouquíssimos fãs do espião britânico aceitaram bem a escolha dos produtores. Os motivos eram variados. O fato de Craig ser loiro, não ser muito famoso e por Pierce Brosnan ter convencido o suficiente como 007 eram alguns dos argumentos usados pela legião de adoradores do personagem criado por Ian Fleming pela não contratação deste novo ator. Foram precisos apenas alguns poucos minutos de Casino Royale para que a grande maioria dos detratores de Craig o saudassem como uma escolha mais que perfeita para o papel.
Nas mãos do cineasta Martin Campbell (responsável pelo primeiro filme de Pierce Brosnan como 007, Goldeneye), Casino Royale foi um veículo certeiro para introduzir um novo James Bond para uma nova platéia. A missão agora de sedimentar essa renovada boa fase do agente está sob responsabilidade do ótimo Marc Forster, que assinou filmes excelentes e díspares como A Passagem, O Caçador de Pipas, Mais Estranho que a Ficção e Em Busca da Terra do Nunca.
A produção está cheia de contratempos, com acidentes que machucaram dublês e até o próprio Daniel Craig - que reprisa seu papel de 007 na primeira continuação direta de um filme na história da cinessérie de James Bond. O primeiro trailer já foi disponibilizado na internet e é possível notar que as cenas de ação continuam excelentes. Confira logo abaixo o primeiro preview de Quantum of Solace (quero saber como vão traduzir isso para o Brasil).
Quantum of Solace
Estréia EUA: 7 de novembro de 2008 Estréia Brasil: Provavelmente, o mesmo
Dir.: Marc Forster Com Daniel Craig, Judi Dench, Mathieu Amalric, Jeffrey Wright e Giancarlo Giannini Expectativômetro: 10/10
Amanhã, em cartaz no Paradoxo: Podcast Paradoxo #6
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Dois irmãos com sérios problemas financeiros decidem roubar a joalheria de seus pais. Durante o assalto, algo sai errado e a mãe dos mandantes do crime acaba sendo gravemente ferida. Com sede de vingança, o pai da família decide encontrar o responsável pelo trágico acontecimento, sem desconfiar que está à procura de seus próprios filhos. Em diversos jornais, uma sinopse parecida com essa pode ser encontrada. Em poucas linhas é possível resumir a trama central do novo filme de Sidney Lumet, Antes que o Diabo Saiba que você está Morto. No entanto, visto desta forma, o filme parece ser uma coisa e, no fim das contas, é outra, um pouco diferente.
De acordo com a sinopse “oficial”, o pai da família, Charles, vivido por Albert Finney, teria um grande papel na trama, já que ele seria a pessoa que buscaria encontrar os criminosos que atacaram sua esposa. Mas isso é apenas um pequeno momento da trama, que dá muito mais importância ao assalto em si e às motivações que levaram os irmãos Andy e Hank, interpretados por Philip Seymour Hoffman e Ethan Hawke, respectivamente, a cometerem o crime. Isso não é, de forma alguma, algo ruim no longa-metragem. Apenas digo aqui que o filme é vendido de forma errada.
O que é interessante no trabalho do veterano Sidney Lumet é o jeito que a narrativa vai e volta, dependendo sempre de qual ponto de vista estamos observando. O filme se divide entre as perspectivas de Andy, Hank e Charles. Portanto, podemos conferir o assalto e os momentos que antecederam a ação de formas diferentes. Com isso, podemos notar que Andy, mesmo sempre parecendo centrado e confiante na frente de seu irmão, realmente está com a corda no pescoço e quer fugir o mais rápido possível para o Brasil (e o Rio de Janeiro continua lindo, pelo visto). Essas nuanças da personalidade de Andy são ressaltadas pela excelente atuação de Philip Seymour Hoffman, que só cresce no decorrer da trama, culminando em seu final “Táxi Driver” de ser.
Já Ethan Hawke aposta em cacoetes para criar seu personagem, o inseguro Hank, e acaba entregando uma atuação exagerada e pouco memorável. Igualmente não inspiradas são as situações envolvendo a esposa de Andy, Gina (Marisa Tomei). Parece que a roteirista, Kelly Masterson, necessitava colocar mais um conflito entre os irmãos, não achando ser suficiente a conduta de ambos em relação a seus pais. Se a criação da personagem não foi interessante, a performance da atriz também é inexpressiva. Tudo que Marisa Tomei faz no filme é aparecer nua três vezes seguidas. Pouco para o talento da atriz, que pode fazer muito mais que isso.
Voltando ao tema da narrativa em diferentes perspectivas, o filme funciona bem em boa parte de sua projeção, por causa do conceito bem trabalhado pelo diretor. Infelizmente, tantos vai-e-volta na narrativa acabam cansando o espectador, parecendo, em certos momentos, que a história ficou estagnada em uma situação apenas. Este problema, atrelado ao fato de algumas cenas serem desnecessárias, já que o público poderia inferir o que está sendo mostrado, retiram um pouco do brilho do longa-metragem.
Curioso é observar que, há poucos meses, esteve em cartaz o mais recente filme de Woody Allen, O Sonho de Cassandra, que tratava de um tema parecido. Nas histórias, dois irmãos se unem para executar um crime que os ajudará financeiramente. Em ambos os casos, no entanto, as coisas acabam saindo bem diferentes do planejado. Mesmo com suas falhas, estes dois filmes, que se tornaram irmãos pela temática, acabam sendo válidos pelas boas idéias e pelas cabeças privilegiadas dos cineastas que estão por trás deles.
Amanhã, em cartaz no Paradoxo: Seção Preview de Quantum of Solace, novo filme do agente James Bond.
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Não tem pra ninguém. A Pixar é, certamente, o estúdio mais confiável. O estúdio no qual podemos apostar todas nossas fichas de que um filme será uma experiência rica e divertida. Desde 1995, com Toy Story, que os magos da Pixar têm se superado a cada novo trabalho. Wall·E é mais um capítulo nesta bem sucedida história, um longa-metragem de animação que tem a ousadia de ter dois personagens principais que não falam, o que acaba forçando a inclusão de pouquíssimos diálogos em boa parte da narrativa. Quem pensava que privilegiar a ação em detrimento do diálogo poderia ser um tiro no pé, enganou-se. Esse é um dos pontos pelos quais Wall·E pode ser apontado como um dos melhores filmes do ano.
Na história, o planeta Terra está desabitado devido às montanhas de lixo que se acumularam através dos anos (ficção ou realidade?). Os humanos vivem em uma nave, longe daqui, enquanto robozinhos fazem o trabalho sujo: limpam a Terra para o retorno da raça humana. O processo de limpeza é lento em 2815, porém. Apenas um destes “lixeiros” robotizados continua a trabalhar e a empilhar os resíduos, o robô da série Waste Allocation Load Lifter Earth-Class – para simplificar, Wall·E. Certo dia, enquanto fazia seu trabalho, o robozinho observa estupefato a chegada de uma outra espécie robótica na Terra. Com traços modernos e com grande poder de destruição, Eve tem a missão de observar se a Terra tem condições de receber novamente a raça humana. Wall·E acaba se apaixonando pela robozinha e isso o leva para fora do planeta, pois seus sentimentos o fazem seguir a nave mãe que trouxe Eve, quando esta leva sua amada embora.
Essa sinopse avantajada é o início da história e possui quase nada de diálogos. Os robôs se comunicam através de um sistema de voz, mas de forma pontual. Não existe espaço para diálogos no começo da trama de Wall·E. Acompanhamos a rotina do robozinho – com sua fiel parceira, a barata – e o encontro entre Wall·E e Eve apenas ao som da bela trilha sonora de Thomas Newman (que, aliás, já havia trabalhado com o diretor Andrew Stanton no ótimo Procurando Nemo). E isso é o suficiente para que conheçamos a fundo a personalidade de cada um dos personagens que desfila na tela.
Wall·E é apaixonado pela raça humana e guarda o que acha de interessante no lixo para trazê-lo mais perto do povo que morou no planeta. Sempre assistindo a uma cópia do musical Hello, Dolly!, o robô acaba tomando para si algumas características humanas e sonha em ter contato com alguém que possa “segurar sua mão”, em uma cena que emociona pela simplicidade e pela expressividade do robô. Já Eve não é sonhadora como seu recém conhecido amigo. Com temperamento explosivo e determinada a cumprir sua tarefa, Eve é extremamente responsável, mas dilui este peso do dever com seu senso de humor, que acaba por fazer com que ela se afeiçoe a Wall·E.
Isso tudo é perceptível apenas com as ações dos robôs e com a expressividade dos seus olhares. Este é um dos grandes motivos pelos quais a Pixar merece todos os elogios. Conseguir transformar figuras animadas – robôs, ainda por cima – em personagens aparentemente vivos e com expressões tão aguçadas é um trabalho minucioso e feito com excelência pelos animadores do estúdio. Fosse só isso, e Wall·E já seria uma experiência diferente e interessante de se conferir nos cinemas. Mas o roteiro consegue ser cativante e possui uma narrativa que nunca pára. Quando você pensa que a história está perto de chegar ao seu clímax, acontece outra situação que coloca a trama para frente.
A entrada dos humanos na história, por exemplo. Não pensava que existiria espaço para uma trama que emula alguns conceitos de 2001 – Uma Odisséia no Espaço. Mas não só existe esta trama, como também é interessante pelas várias críticas que o roteiro faz para a nossa condição atual de sedentários e consumidores de junkie food.
A pergunta que fica é se a criançada vai se divertir com a trama, já que, afinal de contas, o filme foi feito para elas. Acredito que a gurizada não ficará tão encantada pelos personagens quanto com os ratinhos de Ratatouille ou com os peixes de Procurando Nemo. Porém, penso que a mensagem que Wall·E traz é tão mais importante que estes outros filmes, que talvez ela entre de forma inconsciente na cabeça do público infantil. O único “senão” que fica na experiência de conferir o longa-metragem nos cinemas é a total falta de opção pela cópia legendada. Mesmo que existam poucos diálogos, seria interessante poder ouvir Sigourney Weaver como a voz da nave mãe. Um pequeno porém que não tira os méritos deste filme brilhante.
Amanhã, em cartaz no Paradoxo:Antes que o Diabo saiba que você está Morto, novo filme de Sidney Lumet.
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Segunda-feira, Julho 07, 2008 Cinema e Afins #1 O explicador
Das duas uma: ou estou envelhecendo e ficando mais chato com a idade avançada ou as platéias de cinema estão cada vez mais barulhentas e mal educadas. Não sei quando foi que isso aconteceu. Talvez minha memória idosa não lembre do barulho dos espectadores das sessões de uns 10 anos atrás. Mas o que parece é que o público em geral trocou o conforto das praças de alimentação para conversar no escurinho do cinema.
Se você vai a um multiplex qualquer no final de semana, pode ter certeza que irá se deparar com algum tipo de incomodo. Além das filas enormes, a demora no atendimento e o preço exorbitante dos ingressos, invariavelmente você se encontrará com um casal que não fica quieto durante toda a sessão. E se você pensa que é fácil descobrir quem é este casal, você está bastante enganado.
Durante muito tempo, pensei que a platéia adolescente era a mais difícil de aturar. Geralmente ocupam o fundo da sala, conversam alto e fazem piadas de tempos em tempos para mostrar a todos dentro do cinema que existe um engraçadinho entre eles. Mas fiquei surpreso nos últimos tempos ao observar que aqueles adolescentes que incomodavam as sessões alheias cresceram, e se tornaram adultos com problemas em interpretar imagens e som ao mesmo tempo (o também chamado audiovisual).
O que aconteceu ali? Tu viu aquilo? Mas ele não era o bonzinho?
Ouvir perguntas como essa dentro do cinema, originária de casais ou grupos de amigos, não é algo raro. Ou as pessoas realmente têm dificuldade de entender simples tramas hollywoodianas ou se vêem obrigadas a preencher o silêncio com a primeira frase que vem à cabeça. Se for a primeira opção, não existe outra saída a não ser ressuscitar a figura do explicador dentro das salas de cinema. Nos primórdios da sétima arte, existia um sujeito que ficava ao lado da tela explicando para as pessoas o que estava acontecendo na tela grande. Ele era munido de um bastão e apontava os momentos que causavam confusão na platéia. Isso, na época, era necessário porque as pessoas não tinham as ferramentas para entender o que se passava naquela tela, com imagens chapadas sendo projetadas. Mais de cem anos depois, era de esperar que um explicador não fosse mais necessário. Mas quando alguém não consegue assistir a O Incrível Hulk sem emitir comentários ou perguntas, a situação fica complicada – visto que não é um filme dos mais difíceis de entender.
Imagine a cena:
Boa tarde, pessoal. Meu nome é Jean e serei seu explicador esta noite. Estão vendo este monstro verde aqui? Esse é o Hulk. Quando ele fica irritado, ele se transforma nessa besta e não tem controle sobre seus atos. Estamos vendo agora os créditos iniciais. Neles, os produtores colocam os nomes das pessoas que trabalharam no filme, ok? Pessoal, pessoal. Abaixem as mãos! Perguntas só no final do filme!
Amanhã, em cartaz no Paradoxo:Wall-E, nova animação da Pixar.
Depois de três meses de ausência, Podcast Paradoxo no ar, novamente. Esta semana, falarei sobre um documentário bem interessante que conferi nesta semana. Para saber mais, confere logo abaixo no player do GCast. No Podcast anterior, falei sobre O Clube dos Cinco e ainda rolei a faixa do Simple Minds, "Don't You (Forget About Me)", música tema do longa-metragem. Desta vez, novamente a música do papo é atrelada ao filme em questão. Enjoy.
[ATUALIZADO] Para conferir o Podcast Paradoxo #4, clique no botão Posts do player logo abaixo
Na próxima semana, em cartaz no Paradoxo: Cinema e Afins #1; Wall-E, nova animação da Pixar; Antes que o Diabo saiba que você está Morto, filme de Sidney Lumet; Seção Preview e Podcast Paradoxo #5;
Em janeiro, em uma das primeiras seções Preview aqui do Paradoxo, escrevi sobre esta continuação de Batman Begins e coloquei o primeiro trailer. Passados quase seis meses, finalmente Batman – O Cavaleiro das Trevas está prestes a entrar em cartaz. Desde Jurassic Park, em 1993, quando eu tinha 10 anos, não ficava tão ansioso por um filme estrear como esta produção assinada por Christopher Nolan.
Certamente, a boa impressão de seus filmes anteriores, como o próprio Batman Begins, Amnésia e O Grande Truque, fizeram com que este novo trabalho fosse tão aguardado. A campanha de marketing também é sensacional, e certamente será fruto de referência no futuro. Isso, e o fato de os trailers serem ótimos, deixam uma tremenda vontade que o dia 18 de julho seja amanhã. Confira logo abaixo o trailer e veja se você não concorda comigo.
Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight)
Estréia Mundial: 18 de julho
Dir.: Christopher Nolan
Com Christian Bale, Michael Cane, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Maggie Gylenhaal, Morgan Freeman, Anthony Michael Hall e Gary Oldman
Expectativômetro: 12/10
Amanhã, em cartaz no Paradoxo: Podcast #4
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É uma lástima que, no Brasil, bons diretores demorem tanto para lançar um novo trabalho. Não sei se o período de sete anos entre Bicho de Sete Cabeças e Chega de Saudade foi um intervalo premeditado pela cineasta Laís Bondanzky. Acredito que a dificuldade de se conseguir recursos para trabalhar com cinema no país tenha sido a razão principal da diretora ter ficado tanto tempo afastada das telonas. Uma pena, realmente. É de muitas Bondanzkys que o cinema nacional precisa.
Chega de Saudade tem uma premissa bastante simples, mas sua simplicidade é sua grande riqueza. A trama se passa em um baile de terceira idade, no qual diversos personagens, dos mais variados, se cruzam entre uma música e outra no salão. A gama de tipos é interessantíssima e o roteiro consegue trabalhar bem cada uma das situações que se propõe. Temos o casal que ama a pista de dança, ama a companhia um do outro, mas tem problemas em comunicar isso ao parceiro. Temos a mulher solteira, apaixonada, que sofre com as indiscrições de seu pretendente paquerador ao encontrar uma jovem desiludida. Temos a amante, que repudia o fato de seu parceiro trazer a mulher para o baile. E até um jovem casal, cheio de problemas, que vê suas feridas serem cutucadas durante a festa.
O elenco é o grande chamariz de Chega de Saudade e não decepciona em nenhum momento. Nomes experientes como Tônia Carrero, Leonardo Villar, Betty Faria, Cássia Kiss e Stepan Nercessian dividem a tela e provam que ainda tem talento de sobra para atuar – mesmo que não precisem provar mais nada para ninguém. Infelizmente, o que lhes falta são boas oportunidades para mostrar seu trabalho. O mercado para atores mais experientes é muito pequeno. Um elenco mais velho fica, geralmente, relegado a papéis de avôs e avós em novela das seis. Por essas e outras, ressalto a importância de filmes como esse, que dão a oportunidade de assistirmos novamente atuações de atores tão emblemáticos como um Leonardo Villar, por exemplo, que entrou para a história do cinema brasileiro com a excelente interpretação de Zé do Burro em O Pagador de Promessas.
Com um cast como esse, uma possível rejeição de um público jovem deve ter sido calculada pela produção. Laís Bodanzky parece ter tido essa preocupação e, para sanar este problema, resolveu colocar um casal jovem no meio da mistura. E, por incrível que pareça, Paulo Vilhena consegue uma atuação convincente, assim como Maria Flor, que não se deixa eclipsar pela figura sempre competente de Stepan Nercessian.
Outro fato destacável de Chega de Saudade é a edição, que usa a trilha sonora como ligação entre as diversas tramas. A música, que em grande parte é executada pela banda Luar de Prata com os vocais de Elza Soares, serve como uma ponte entre as histórias, mantendo sempre o longa-metragem com um bom ritmo. Músicas como “Não Deixe o Samba Morrer”, “Tequila” e “Você não Presta, mas eu Gosto de Você” são alguns pontos altos de uma trilha que conversa muito bem com sua trama.
Chega de Saudade poderia ser indicado, principalmente, para platéias mais velhas, que teriam a oportunidade de reencontrar astros de sua época. Mas não é o caso. O longa-metragem é tão interessante para espectadores experientes quanto para um público jovem. Isso porque, para apreciar atuações inspiradas, não existe idade certa. Só espero que a cineasta Laís Bodanzky não demore mais sete anos para um próximo trabalho.
Amanhã, em cartaz no Paradoxo: Preview Batman - O Cavaleiro das Trevas
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Não é novidade para ninguém que visita o Paradoxo há algum tempo de que existem períodos em que o blog fica sem atualizações. Geralmente, os motivos variam entre preguiça, falta de tempo e mais preguiça. No entanto, desta vez, uma razão nobre me tirou das atualizações do blog: Trabalho de Conclusão. Se você é universitário e não passou por isso ainda, fique tranqüilo, pois o seu dia ainda há de chegar. Com o trabalho entregue e com a banca marcada para amanhã, já me vejo novamente com tempo e disposição para voltar a atualizar o Paradoxo. E com algumas novidades.
Para começar, as críticas sobre filmes continuarão sendo a tônica do blog. Mas não serão mais o único material escrito por aqui. Em 2001, em uma época em que os weblogs ainda não eram populares (ou nem existiam, não lembro) eu tinha um site chamado McFly Cine News (é, que coisa, não?) no qual eu colocava fichas de filmes, críticas e mais algumas coisas pertinentes – ou nem tanto – sobre a sétima arte. Neste site, amigos que hoje escrevem para o Globo Esporte ou para o jornal VS, praticamente começaram suas carreiras com sua coluna semanal. E, claro, eu também escrevia minha coluna, chamada Cinema e Afins. Fiz toda essa volta para dizer que estou ressuscitando esta coluna aqui no Paradoxo. Semanalmente, um assunto escolhido cuidadosamente será incluído no blog. Não sei em qual dia, mas isso vocês descobrem com o tempo.
Os podcasts voltarão, assim como a seção Preview. Claro que as críticas dos filmes em cartaz ainda ocuparão a maior parte do blog. Com tantas coisas em mente para postar, posso dizer ambiciosamente que o Paradoxo será atualizado diariamente, de segunda à sexta-feira. Para tanto, conto com a participação do pessoal que passar os olhos por aqui. Espero que o espaço para os comentários seja usado para conversarmos sobre cinema. Fico curioso para saber quais são as opiniões dos leitores do blog. Por isso, os comentários serão encorajados como nunca no Paradoxo.
Amanhã, em cartaz no Paradoxo:Chega de Saudade, novo filme de Laís Bodanzky, diretora de Bicho de Sete Cabeças.