Em janeiro, em uma das primeiras seções Preview aqui do Paradoxo, escrevi sobre esta continuação de Batman Begins e coloquei o primeiro trailer. Passados quase seis meses, finalmente Batman – O Cavaleiro das Trevas está prestes a entrar em cartaz. Desde Jurassic Park, em 1993, quando eu tinha 10 anos, não ficava tão ansioso por um filme estrear como esta produção assinada por Christopher Nolan.
Certamente, a boa impressão de seus filmes anteriores, como o próprio Batman Begins, Amnésia e O Grande Truque, fizeram com que este novo trabalho fosse tão aguardado. A campanha de marketing também é sensacional, e certamente será fruto de referência no futuro. Isso, e o fato de os trailers serem ótimos, deixam uma tremenda vontade que o dia 18 de julho seja amanhã. Confira logo abaixo o trailer e veja se você não concorda comigo.
Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight)
Estréia Mundial: 18 de julho
Dir.: Christopher Nolan
Com Christian Bale, Michael Cane, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Maggie Gylenhaal, Morgan Freeman, Anthony Michael Hall e Gary Oldman
Expectativômetro: 12/10
Amanhã, em cartaz no Paradoxo: Podcast #4
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É uma lástima que, no Brasil, bons diretores demorem tanto para lançar um novo trabalho. Não sei se o período de sete anos entre Bicho de Sete Cabeças e Chega de Saudade foi um intervalo premeditado pela cineasta Laís Bondanzky. Acredito que a dificuldade de se conseguir recursos para trabalhar com cinema no país tenha sido a razão principal da diretora ter ficado tanto tempo afastada das telonas. Uma pena, realmente. É de muitas Bondanzkys que o cinema nacional precisa.
Chega de Saudade tem uma premissa bastante simples, mas sua simplicidade é sua grande riqueza. A trama se passa em um baile de terceira idade, no qual diversos personagens, dos mais variados, se cruzam entre uma música e outra no salão. A gama de tipos é interessantíssima e o roteiro consegue trabalhar bem cada uma das situações que se propõe. Temos o casal que ama a pista de dança, ama a companhia um do outro, mas tem problemas em comunicar isso ao parceiro. Temos a mulher solteira, apaixonada, que sofre com as indiscrições de seu pretendente paquerador ao encontrar uma jovem desiludida. Temos a amante, que repudia o fato de seu parceiro trazer a mulher para o baile. E até um jovem casal, cheio de problemas, que vê suas feridas serem cutucadas durante a festa.
O elenco é o grande chamariz de Chega de Saudade e não decepciona em nenhum momento. Nomes experientes como Tônia Carrero, Leonardo Villar, Betty Faria, Cássia Kiss e Stepan Nercessian dividem a tela e provam que ainda tem talento de sobra para atuar – mesmo que não precisem provar mais nada para ninguém. Infelizmente, o que lhes falta são boas oportunidades para mostrar seu trabalho. O mercado para atores mais experientes é muito pequeno. Um elenco mais velho fica, geralmente, relegado a papéis de avôs e avós em novela das seis. Por essas e outras, ressalto a importância de filmes como esse, que dão a oportunidade de assistirmos novamente atuações de atores tão emblemáticos como um Leonardo Villar, por exemplo, que entrou para a história do cinema brasileiro com a excelente interpretação de Zé do Burro em O Pagador de Promessas.
Com um cast como esse, uma possível rejeição de um público jovem deve ter sido calculada pela produção. Laís Bodanzky parece ter tido essa preocupação e, para sanar este problema, resolveu colocar um casal jovem no meio da mistura. E, por incrível que pareça, Paulo Vilhena consegue uma atuação convincente, assim como Maria Flor, que não se deixa eclipsar pela figura sempre competente de Stepan Nercessian.
Outro fato destacável de Chega de Saudade é a edição, que usa a trilha sonora como ligação entre as diversas tramas. A música, que em grande parte é executada pela banda Luar de Prata com os vocais de Elza Soares, serve como uma ponte entre as histórias, mantendo sempre o longa-metragem com um bom ritmo. Músicas como “Não Deixe o Samba Morrer”, “Tequila” e “Você não Presta, mas eu Gosto de Você” são alguns pontos altos de uma trilha que conversa muito bem com sua trama.
Chega de Saudade poderia ser indicado, principalmente, para platéias mais velhas, que teriam a oportunidade de reencontrar astros de sua época. Mas não é o caso. O longa-metragem é tão interessante para espectadores experientes quanto para um público jovem. Isso porque, para apreciar atuações inspiradas, não existe idade certa. Só espero que a cineasta Laís Bodanzky não demore mais sete anos para um próximo trabalho.
Amanhã, em cartaz no Paradoxo: Preview Batman - O Cavaleiro das Trevas
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Não é novidade para ninguém que visita o Paradoxo há algum tempo de que existem períodos em que o blog fica sem atualizações. Geralmente, os motivos variam entre preguiça, falta de tempo e mais preguiça. No entanto, desta vez, uma razão nobre me tirou das atualizações do blog: Trabalho de Conclusão. Se você é universitário e não passou por isso ainda, fique tranqüilo, pois o seu dia ainda há de chegar. Com o trabalho entregue e com a banca marcada para amanhã, já me vejo novamente com tempo e disposição para voltar a atualizar o Paradoxo. E com algumas novidades.
Para começar, as críticas sobre filmes continuarão sendo a tônica do blog. Mas não serão mais o único material escrito por aqui. Em 2001, em uma época em que os weblogs ainda não eram populares (ou nem existiam, não lembro) eu tinha um site chamado McFly Cine News (é, que coisa, não?) no qual eu colocava fichas de filmes, críticas e mais algumas coisas pertinentes – ou nem tanto – sobre a sétima arte. Neste site, amigos que hoje escrevem para o Globo Esporte ou para o jornal VS, praticamente começaram suas carreiras com sua coluna semanal. E, claro, eu também escrevia minha coluna, chamada Cinema e Afins. Fiz toda essa volta para dizer que estou ressuscitando esta coluna aqui no Paradoxo. Semanalmente, um assunto escolhido cuidadosamente será incluído no blog. Não sei em qual dia, mas isso vocês descobrem com o tempo.
Os podcasts voltarão, assim como a seção Preview. Claro que as críticas dos filmes em cartaz ainda ocuparão a maior parte do blog. Com tantas coisas em mente para postar, posso dizer ambiciosamente que o Paradoxo será atualizado diariamente, de segunda à sexta-feira. Para tanto, conto com a participação do pessoal que passar os olhos por aqui. Espero que o espaço para os comentários seja usado para conversarmos sobre cinema. Fico curioso para saber quais são as opiniões dos leitores do blog. Por isso, os comentários serão encorajados como nunca no Paradoxo.
Amanhã, em cartaz no Paradoxo:Chega de Saudade, novo filme de Laís Bodanzky, diretora de Bicho de Sete Cabeças.
Mais um podcast no ar, mais um filme como personagem principal desta seção semanal do Paradoxo. Como dica, posso dizer que é um longa-metragem oitentista, assim como a trilha sonora de hoje, deste mesmo filme. Semana passada, falei sobre Uma Verdade Incoveniente e ainda rolei a música "All Along the Watchtower", na versão de Eddie Vedder, que serve de trilha para o ótimo Não Estou Lá. Falando nisso, erroneamente falei que o filme estrearia no Rio Grande do Sul na semana passada e que publicaria uma crítica na segunda-feira, dia 31 de março. A cinebiografia de Todd Haynes acabou estreando só hoje, o que faz com que minha crítica seja publicada, então, nesta próxima segunda, dia 7 de abril. Logo abaixo, Podcast Paradoxo #3. Enjoy.
Só mesmo da cabeça de Michel Gondry, diretor de Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, para sair um roteiro tão inventivo quanto esse de Be Kind Rewind. Como se pode ver no trailer, Jack Black tem uma espécie de magnetismo no corpo, que acaba por apagar todas as fitas da videolocadora de seu amigo, interpretado por Mos Def.
O inusitado da história é que estes dois amigos terão de recriar os filmes que foram apagados, de uma forma bastante tosca e, aparentemente, engraçadíssima. Estava curioso para ver o que Michel Gondry aprontaria com De Volta para o Futuro, que seria uma das produções recriadas em Be Kind Rewind. Mas descobri recentemente que o cineasta não conseguiu os direitos para brincar com a trilogia de Marty McFly. Uma pena. Pelo trailer, o resultado dos Os Caça-Fantasmas ficou bem engraçado.
Be Kind Rewind
Estréia EUA: 22 de fevereiro de 2008
Estréia Brasil: (talvez) 16 de maio de 2008
Dir,: Michel Gondry
Com Jack Black, Mos Def, Danny Glover e Mia Farrow
Expectativômetro: 9/10
Não sou um grande conhecedor de documentários, mas Eduardo Coutinho é um nome que resume, pelo menos pra mim, bons exemplares deste gênero cinematográfico. Há dois anos assisti ao Edifício Master, um primor de documentário dirigido pelo cineasta, que conseguia montar uma narrativa interessantíssima através de personagens tão corriqueiros e tão extraordinários quanto os moradores daquele prédio carioca chamado Master.
Agora, Eduardo Coutinho em Jogo de Cena, com a mesma simplicidade na premissa, entrega um novo documentário tocante, que enfoca histórias de diversas mulheres, batalhadoras, sofredoras, marcantes. E com um pequeno twist. Alguns dos depoimentos são encenados por atrizes, que mergulham na psique de suas personagens reais. Tanto que fica difícil descobrir quem está encenando e quem está contando sua história real.
Claro que temos no elenco Marília Pêra, Andréa Beltrão e Fernanda Torres, três excelentes e conhecidas atrizes, que poderiam não nos deixar dúvidas sobre a interpretação de um depoimento. No entanto, a primeira participação de Fernanda Torres, por exemplo, indica que ela estava contando uma história sua. Mas será que realmente era? O fato de ela, no decorrer de sua fala, se nomear “Nanda” não quer dizer necessariamente que aquela era uma passagem de sua vida. Ou pode. O documentário não deixa isso claro, como acontece com outras entrevistas no decorrer da narrativa.
No fim das contas, não é importante saber se o depoimento é ou não verdadeiro, já que cada uma das mulheres dá uma carga a sua história que transcende esta preocupação por parte do espectador. Da mesma forma, quando sabemos que uma atriz está interpretando, e a vemos paralelamente com a personagem real, podemos observar os cacoetes da performance e também constatar de que forma aquela atriz em especial sentiu e entendeu aquela “fala”. O melhor exemplo para isso é o caso de Andréa Beltrão, que confessou não conseguir se afastar da situação de sua personagem, chegando às lágrimas todas as vezes que dava seu texto.
Jogo de Cena não é interessante apenas pela premissa simples - porém envolvente - que Coutinho trabalha. Outras ricas simplicidades podem ser constatadas nos planos montados pelo documentarista, que alterna planos fechados com alguns mais abertos, nunca tirando o foco das mulheres que entrevista. O cenário, um palco de teatro, com as cadeiras da platéia sempre ao fundo, é uma maneira bastante minimalista de dizer que estão em cena histórias de dor, de perda, de amor, de esperança e superação. Trechos de vidas que nos prendem até o fim neste belo documentário.
Podcast Paradoxo de volta. Semana retrasada, falei sobre Antes de Partir, mais recente longa-metragem do diretor Rob Reiner e, para encerrar, rolei a música de Barry Louis Polisar, All I Want is you, trilha do filme Juno. Nesta semana, o assunto é outro e a música é ainda melhor. Aperta o play no podcast abaixo e escute!
[ATUALIZADO] Para ouvir o Podcast Paradoxo #2, clique no botão Posts, logo ao lado da flechinha do play, no player abaixo.
Há um bom tempo venho dizendo isso: o último filme que realmente me colocou medo dentro do cinema foi Os Outros, produção do espanhol Alejandro Amenábar, lançada em 2001. Com uma história de suspense asfixiante e um roteiro muito bem acabado, o filme ficou na minha memória como um ótimo exemplo de suspense/terror, muito superior a longas-metragens como O Chamado, O Grito ou Água Negra, que bebem na fonte do terror japonês. Eis que O Orfanato chega aos cinemas brasileiros e me dou conta de que, realmente, quem sabe fazer filmes assustadores são os espanhóis.
Pensando bem, assustador não seria bem a palavra certa a ser atrelada ao filme do diretor Juan Antonio Bayona, que foi apadrinhado aqui pelo mexicano Guillermo Del Toro. Sufocante seria um termo melhor, certamente. A trama não é das mais complicadas, mas sua execução é elegante e consegue trabalhar bem o conceito de amigos imaginários.
Laura (Helen Ruéda), quando criança, morava em um pequeno orfanato até ser adotada. Anos mais tarde, já adulta e com marido e filho, a mulher decide comprar a casa onde ficava o orfanato para, ali, cuidar de crianças que merecem cuidados especiais. Seu filho, Simón (Roger Príncep), é adotado e sofre de uma doença séria, mas nada sabe sobre isso. Para passar o tempo, o garoto conversa com seus amigos imaginários, que incomodam bastante sua mãe. Certo dia, Simón desaparece sem deixar vestígio algum e Laura começa uma jornada para encontrar seu filho e descobrir que mistérios envolvem aquele orfanato.
Isso é apenas a ponta do iceberg da história, que é um tanto lenta de início, mas ganha ritmo em seu segundo ato. No entanto, o fato de a narrativa no primeiro ato ser lenta não representa algo de negativo para o filme. Pelo contrário. Este primeiro ato dá a base certa para que o resto do longa-metragem consiga se sustentar, nos apresentando bem as personalidades de Laura e de Simón, duas belíssimas atuações, diga-se.
Helen Ruéda faz com que nos esqueçamos de que estamos vendo uma obra de ficção. Sua atuação como Laura, uma mãe que perde seu filho e, por conseqüência, seu motivo de viver, é emocionante e ganha força a cada segundo da história. Já Roger Príncep ganha pouco tempo de tela, mas consegue mostrar que é uma criança de talento. Outro destaque do elenco fica para Geraldine Chaplin, que interpreta a mediúnica Aurora, em um trabalho de arrepiar os cabelos. Fechando o bom elenco, o sempre bondoso Seu Barriga do Chaves, Edgar Vivar, tem um pequeno papel como parceiro da médium vivida por Chaplin.
Como um bom filme de suspense que se preze, O Orfanato capricha na fotografia e na direção de arte, montando a iluminação da casa e a mobília como um lugar realmente misterioso. As tomadas de fora da casa, como a praia e os brinquedos do playground, são de uma beleza triste, encaixando muito bem com o resto da história.
Diferente de boa parte dos filmes de terror atualmente, O Orfanato ganha pontos por conseguir ser assustador, angustiante e, ao mesmo tempo, doce e triste. Muito longe de tentar amedrontar a platéia com sustos bobos, o diretor Juan Antonio Bayona se preocupa em criar uma atmosfera opressora, com um roteiro que não se priva em chocar o espectador até o último momento. Só vendo para entender.
A primeira notícia que li sobre este filme, Quebrando a Banca, estava relacionada ao fato de Kevin Spacey e Kate Bornsworth – a saber, Lex Luthor e Lois Lane – estarem reunidos novamente após o sucesso de bilheteria e o fracasso de crítica de Superman – O Retorno. Pelo trailer, parece que o filme é muito mais do que isso.
O jovem talento Jim Sturgess – visto recentemente em Across the Universe - interpreta Ben, um gênio matemático que consegue ganhar verdadeiras fortunas em cassinos de Las Vegas, junto com outros quatro estudantes do MIT, contando as cartas no Black Jack. O problema é que a banca sempre vence e quando o pessoal do cassino começa a se dar conta do que acontece, a situação piora pro lado do garoto e de sua turma, treinada por Kevin Spacey.
O diretor do filme, Robert Luketic, é uma incógnita, pois tem em seu currículo o engraçadinho Legalmente Loira e o intragável A Sogra.
Quebrando a Banca (21) Estréia EUA: 28 de março de 2008
Estréia Brasil: 4 de abril de 2008
Dir.: Robert Luketic
Com Jim Sturgees, Kevin Spacey, Kate Bornsworth e Laurence Fishburne
Expectativômetro: 7/10
O cineasta estreante Pete Travis teve uma idéia bastante ambiciosa em sua primeira incursão nas telonas, Ponto de Vista. Emulando o clássico Rashômon, de 1951, do japonês Akira Kurosawa, Travis conta de oito diferentes pontos de vista um trágico acontecimento fictício ocorrido em Salamanca, na Espanha. Uma organização terrorista pratica um atentado contra o presidente dos Estados Unidos Henry Ashton (William Hurt) durante uma convenção de paz sediada no país espanhol. Para entendermos exatamente o que aconteceu durante o evento, teremos de observar como personagens distintos observaram o ocorrido, incluindo a editora de um telejornal, o segurança do presidente, um turista com sua câmera em mãos, um policial misterioso e até os próprios terroristas.
A idéia, apesar de não ser nova, é bastante interessante pelo suspense que traz à trama. Não fossem as idas e voltas no tempo, a história poderia ser contada em 30 minutos, aproxidamente. Com a narrativa sempre voltando ao meio dia daquele fatídico dia, teríamos oportunidade de conhecer melhor cada um dos personagens e ter uma idéia, mesmo que rápida, de suas intenções. Infelizmente, o roteiro não dá muito tempo para que conheçamos o background de cada um dos personagens ditos principais. O que temos é um pequeno desenvolvimento do agente Thomas Barnes (Dennis Quaid), indubitavelmente o principal da trama, e do turista Howard Lewis (Forest Whitaker), que ganha um fiapo de história apenas para explicar seus atos. De resto, unidimensionalidade é a palavra chave.
Claro que seria bastante complicado para um filme de pouco menos de duas horas conseguir desenvolver todos os seus personagens. No entanto, alguns ganham tão pouco tempo de tela que chega a ser um desperdício de talento. É o caso de Sigourney Weaver, que aparece muito pouco como a jornalista Rex Brooks. O seu segmento é o primeiro a se desenrolar na história e é interessante que saibamos da tragédia por intermédio da imprensa. Uma pena que a repórter destacada para o evento seja tão fraca, em uma interpretaçâo risível de Zoe Saldana.
Por falar em risível, a atuação de Matthew Fox como o agente Kent Taylor possui dois momentos bastante distintos e, por vezes, vergonhosos. Em um primeiro momento, Fox mostra-se centrado e dá pouco espaço para novidades em seu velho retrato de bom moço, já conhecido do seriado Lost - no qual ele convence, diga-se de passagem. No entanto, no decorrer da trama, o ator se perde totalmente, entregando uma atuaçâo forçada e demasiadamente caricata.
Em matéria de caricatura, porém, Dennis Quaid é rei. Tentando salvar o dia como o agente Thomas Barnes, o roteiro dá ao seu personagem as frases mais manjadas do metier thriller-aventuresco-com-twist-no-final. Sentenças como "Eu confiei em você!" e "Como pôde?" estâo lá para não deixar dúvidas de que o roteirista Barry Levy foi preguiçoso na hora de criar os diálogos, apesar de ter tido uma certa desenvoltura ao montar um interessante mosaico de situações de ação.
Neste quesito é que Ponto de Vista se dá realmente bem: na ação. Algumas cenas, como o atentado em si e perseguição de carros no terceiro ato, são bons exemplos de cinema de ação de qualidade. Atrelado a isso com a interessante idéia de pontos de vista diferentes de uma mesma história, o filme poderia terminar sendo mais do que um passatempo esquecível. Uma pena que essa premissa dos pontos de vista diferentes seja praticamente abandonada no segmento final, quando as pontas precisam ser amarradas e o desfecho precisa ser dado. Apesar das atuações pouco memoráveis - nem William Hurt consegue se salvar - o longa-metragem de estréia de Pete Travis nos cinemas mostra que o cineasta pode ter um melhor resultado na próxima vez. Só é necessário colocar mais conteúdo em uma forma que é certamente bem orquestrada.